Como em todo lugar, o DF também tem programas turísticos furados. Alguns furadérrimos. Mas como a gente só descobre depois de pagar a entrada... Já Elvis!
Caso queira economizar alguns pesos e usar seu tempo para outros programas, aproveite as dicas! Mas, lembre-se: meus comentários estão direta e absolutamente ligados ao meu jeito, aos meus gostos, à minha personalidade. Pode ser que você adore certas coisas que eu não curto. Aí, vale seguir a intuição!
Eu não entendo nada de arte. Nunca estudei o tema a fundo e também nunca tive curiosidade de aprender muito. Na verdade, tudo parece muito complexo. Apesar disso, sei admirar um quadro bonito. Ao menos, sou capaz de reconhecer que quem fez aquilo tinha técnica (no mínimo, fez algo que não sou capaz de fazer). Mas quando se trata de arte moderna... Não passa de conversa fiada. Sério. Caco de vidro aleatoriamente jogado no chão é arte? Uma bicicleta Caloi encostada em uma parede é arte? Um quarto pintado de vermelho? Ferro retorcido? Ah, para, né?! Ta aí uma coisa que me revolta profundamente! Pior ainda é a explicação da supostérrima arte. A pessoa junta um monte de palavras complicadas em uma mesma frase para a coisa parecer mais inatingível, evoluída. Mas não interessa. Vidro quebrado é vidro quebrado. E não a “desconstrução de uma existência amorfa que remonta a um paralelismo metafísico”. É por isso que passei apuros no Museu de Arte Moderna. Graças a Deus que lá estava o quadro Duas Fridas para salvar a tarde.
Não é que a Casa dos Azulejos não seja bonita. É um prédio interessante, do ponto de vista arquitetônico. Ainda mais por dentro. Pé direito alto. Escada imponente. Um mural do Orozco no primeiro andar. Mas, sério, não tem nada de mais. E a comida (hoje ela virou um restaurante, o Sanborn’s) é bem mais ou menos. Pule esse programa sem medo.
Todo mundo adora apreciar uma cidade vista de cima. A Torre Eiffel que o diga. Quer dizer, se a cidade for bonita. E se a vista valer a pena. Óbvio. Só subir e espiar uma cidade mais ou menos de uma janelinha mequetrefe, não vale. A Torre Latinoamericana não é de toda ruim. E a Cidade do México não é feia de tudo vista de cima. Mas não tem nada demais. E, como a torre é um dos programas turísticos mais caros da cidade (80 pesos), sugiro deixar de lado.
O Templo Mayor é um sítio arqueológico bem no centro da cidade, ao lado da Catedral. Um complexo sagrado entre muros no centro de Tenochtitlán (atual Cidade do México), do tempo dos astecas, destruído por Cortés. É um programa legal, interessante e, por isso, nem deveria figurar nesta lista de furadas. Eu só coloquei aqui porque, depois de visitar Teotihuacán, qualquer ruína vira fichinha. E, se você precisar escolher entre os dois, deixe o Templo de fora. Se for, aproveite o museu, ao final do tour. Minhas peças favoritas foram o monólito de Coyolxauhqui e a escultura de Chacmool.
O mesmo vale para o Antiguo Colegio San Ildefonso. O lugar é legal. Tem murais impressionantes dos mexicanos mais bombásticos. Mas, depois de conhecer o Palácio Bellas Artes, ele perde parte do charme. E vira dispensável.
Sonho de uma Tarde de Domingo na Alameda Central, de Diego Rivera, é uma obra-prima. Cada personagem que compõe o quadro foi colocado lá por um motivo. Tem pessoas famosas da época do artista mexicano. Bem legal. Mas quando fui ao Museu Mural Diego Rivera eu esperava um museu. Com obras de arte do mexicano. Para passar uma tarde toda me deleitando. Suspirando. Quando vi que era só um mural, brochei. Teria preferido uma visita a um museu dele de verdade, com mais obras para curtir (como o Museu Dolores Olmedo, que, infelizmente, estava fazendo a manutenção da parte dedicada a Diego e Frida)
Ouvir mariachis na Praça Garibaldi tem tudo para ser um programa divertido. Pessoalmente, adoro mariachis. E adoro a ideia de passar uma noite bebendo tequila e ouvindo aquelas músicas dor de cotovelo. Bem México. O problema é que não adianta só você estar na pilha. Seu companheiro tem que gostar muito do programa. E não foi o meu caso. Eu queria parar e ouvir cada bandinha de músicos, até pagar para que tocassem alguns hits para mim. Só que minha amiga achou aquilo tudo estranho. Não fazia questão de se aproximar dos músicos. Se recusou a pagar por música (e a deixar que eu pagasse). E fugiu o quanto pôde da tequila (tomou um microshot, forçada). Acabamos sentadas em um restaurante, acompanhadas de uma comida horrível e de um atendimento péssimo.
Em termos de comidas e lojas, entrei em muitas furadas. A primeira foi a Perfumes y Esencias Fraiche. Ao ler a dica, imaginei uma loja chique, que misturava fragrâncias na hora, compondo um cheiro único, só seu. Coisa diferenciada. High society. Me imaginei como uma artista que cria sua própria colônia. Mas, ao chegar à loja, o que vi foi um estabelecimento brega, com cheiros adocicados e perfumes a la filhos de Gandhy. Ninguém merece. A Dulcería de Celaya, com doces típicos mexicanos, é decadente, mal cuidada, com atendentes desmotivadas. Os doces são feios e têm cara de serem ruins. Acabei comprando dois para provar. Não eram fracassos totais, mas também não eram bons. Só que a loja me deixou deprimida. Já a Helados Siberia, em Coyoacán, tinha tudo para ser um achado. O local estava cheio. A decoração agradou. A variedade de sorvetes impressionou. Mas nunca comi um sorvete tão gorduroso e amanteigado em toda a minha vida!
29.7.13
Agora que já falei sobre os programas imperdíveis para quem visita a capital do México, chegou a vez dos muito bons. É, estou falando daqueles passeios que são uma delícia, ainda que não causem uma combustão interna. Se tempo não é um problema, caia de cabeça na lista a seguir.
Como boa representante do sexo feminino, vou começar pelas compras. Aêêê!
Se o seu coração bate por artesanato colorido, criativo e acessível, não deixe de passar no Mercado La Ciudadela. Amplo, traz muitas opções para quem procura esqueletos, cerâmicas, prata, velas, caveiras y mucho, mucho más. Aos sábados, tem uma ferinha especial em San Ángel, na Plaza San Jacinto. Há bem menos opções que no Mercado La Ciudadela, mas é uma delícia andar por entre barraquinhas em uma praça com cara de cidade de interior. Parece que todo fim de semana é dia de festa. Tem bandinha, gente comendo na praça, crianças, doces... Uma riqueza! Na praça, tem ainda duas lojas com produtos de altíssima qualidade! É a Maria Bonita e o Ida y Vuelta. Entre, nem que seja para babar.
Sinceramente, nunca vi um parque tão cheio, tão bem aproveitado, tão agregador como o Bosque de Chapultepec (deixa o Central Park no chinelo). Milhares de mexicanos curtem (especialmente aos domingos) os 648 hectares desse bosque, que fica bem no meio da cidade. É como se não houvesse engarrafamento, conta a pagar, poluição, violência. Como se os problemas permanecessem congelados por um dia e tudo fosse só diversão. Pra lá de democrático, ele abriga um zoológico, uma feira, lagos, museus, o monumento a Los Niños Héroes e o fuefo Castelo de Chapultepec. Antiga residência dos presidentes do México, o castelo é recheado de extensos terraços e jardins bem cuidados (e dá de presente uma vista linda do DF). Como se fosse pouco, acolhe o Museu Nacional de História. Para apreciar tanta belezura, mais uma vez, prepare as pernoquitas roliças. É ladeira que não acaba mais!
(Vitral do Castelo)
Construída sobre um antigo templo asteca, a Catedral Metropolitana impressiona com uma fachada ricamente ornamentada de barroco espanhol, cúpula neoclássica e campanários gêmeos de 67 metros. A mistura de estilos arquitetônicos funciona. Talvez porque esteja no México e só no México o caos parece ter graça. Cada um se apaixona por alguma coisa. Tem o pêndulo, que acompanha a inclinação da Catedral, deixando marcas no chão. Curiosíssimo. Tem os órgãos de tubo e coro, favoritos da Tati, minha companheira de viagem. E tem a estátua de São Ramón, com pés recheados de cadeados e fitas de devotas. Elas acreditam que o ‘mimo’ ajude a acabar com as fofocas que correm em seu vilarejo. Nem preciso dizer que foi minha parte favorita! :)
(Sim, no México também tem piriguete mal falada)
Belo, belo, belo. O Palácio de Belas Artes é belo! Visto por fora, por dentro, de baixo pra cima ou de cima pra baixo. Belo e valiosíssimo! As paredes dos andares 2 e 3 são recheadas de obras dos muralistas mais famosos do México: Rufino Tamayo, Diego Rivera, David Alfaros Siqueiros e José Clemente Orozco. Do lado do Palácio fica o pequeno, mas impecável, Parque Alameda Central.
Para um momento mais espiritualizado, visite a Vila de Guadalupe, o mais sagrado santuário católico romano da América Latina (e mais visitado do mundo). Teria sido lá que a Virgem apareceu para o índio Juan Diego em 1531, pedindo a construção de uma capela (ele é o primeiro santo indígena das Américas, canonizado em 2002). A primeira basílica, consagrada em 1709, está afundando por causa do solo macio. A segunda, mais nova, fica ao lado e vive cheia. Mas há muito mais para apreciar por lá. Capelas, jardins, uma grande praça e até uma loja, cheia de artigos religiosos.
(Basílica antiga)
Por último, tem o passeio de trajinera, embarcação plana, pelos jardins flutuantes de Xochimilco (ou Chocomilk, nas palavras da Tati! Rs). Esse é aquele programa que, dependendo da pessoa, do humor de quem conduz o barco ou do dia da visita, pode subir para a lista de imperdíveis ou cair para as furadas. A ideia dos canais de água, construídos pelos astecas, é genial. E o caminho é formado por um cenário incrível de plantas e bichos. Mas a água de cor escura, o lixo boiando e as casas faveladas à margem dão uma depreciada no lugar. Ainda assim, o passeio de uma hora a bordo daquela embarcação colorida, cafona e tão mexicana foi uma delícia! Dica: o aluguel da trajinera custa 350 pesos por hora e não por PESSOA. Ou seja, pode combinar com um grupo de passear na mesma embarcação e dividir os custos!
(Canais de água dos astecas)
*Não consegui visitar o Palácio Nacional, sede do governo mexicano. Ele está fechado há quase dois meses por conta de manifestações que tomam conta da cidade! Mas só de saber que as paredes de granito e tezontle abrigam o mural mais famoso de Diego Rivera, Ciclo da História do México, já sei que o local entraria para esta lista.
Mercado La Ciudadela
Aberto: diariamente
Horário: 9h a 19h (no domingo, fecha às 18h)
Custo: zero
Como chegar: metrô Balderas
El Bazaar Sábado
Aberto: Sábados
Horário: 11h a 17h
Custo: zero
Como chegar: de táxi ou com o metrobus La Bombilla
Castelo de Chapultepec
Aberto: 3ª a domingo
Horários: 9h a 16h30
Custo: 57 pesos
Como chegar: metrô Chapultepec
Catedral Metropolitana
Aberta: diariamente
Horário: 8h a 20h
Custo: zero
Como chegar: metrô Zócalo
Palácio de Belas Artes
Aberto: 3ª a domingo
Horário: 10h a 18h
Custo: 35 pesos
Como chegar: metrô Bellas Artes
Vila de Guadalupe
Aberta: diariamente
Horário: 6h a 21h
Custo: zero
Como chegar: metrô Deportivo 18 de Marzo ou La Villa/Basílica
Jardins Flutuantes de Xochimilco
Aberto: diariamente
Horário: livre
Custo: 350 pesos por hora (não por pessoa)
Como chegar: metrô Tasqueña + Veículo Leve sobre Trilhos até a periferia da vila de Xochimilco + táxi até os embarcaderos
Como boa representante do sexo feminino, vou começar pelas compras. Aêêê!
Se o seu coração bate por artesanato colorido, criativo e acessível, não deixe de passar no Mercado La Ciudadela. Amplo, traz muitas opções para quem procura esqueletos, cerâmicas, prata, velas, caveiras y mucho, mucho más. Aos sábados, tem uma ferinha especial em San Ángel, na Plaza San Jacinto. Há bem menos opções que no Mercado La Ciudadela, mas é uma delícia andar por entre barraquinhas em uma praça com cara de cidade de interior. Parece que todo fim de semana é dia de festa. Tem bandinha, gente comendo na praça, crianças, doces... Uma riqueza! Na praça, tem ainda duas lojas com produtos de altíssima qualidade! É a Maria Bonita e o Ida y Vuelta. Entre, nem que seja para babar.
Sinceramente, nunca vi um parque tão cheio, tão bem aproveitado, tão agregador como o Bosque de Chapultepec (deixa o Central Park no chinelo). Milhares de mexicanos curtem (especialmente aos domingos) os 648 hectares desse bosque, que fica bem no meio da cidade. É como se não houvesse engarrafamento, conta a pagar, poluição, violência. Como se os problemas permanecessem congelados por um dia e tudo fosse só diversão. Pra lá de democrático, ele abriga um zoológico, uma feira, lagos, museus, o monumento a Los Niños Héroes e o fuefo Castelo de Chapultepec. Antiga residência dos presidentes do México, o castelo é recheado de extensos terraços e jardins bem cuidados (e dá de presente uma vista linda do DF). Como se fosse pouco, acolhe o Museu Nacional de História. Para apreciar tanta belezura, mais uma vez, prepare as pernoquitas roliças. É ladeira que não acaba mais!
(Vitral do Castelo)
Construída sobre um antigo templo asteca, a Catedral Metropolitana impressiona com uma fachada ricamente ornamentada de barroco espanhol, cúpula neoclássica e campanários gêmeos de 67 metros. A mistura de estilos arquitetônicos funciona. Talvez porque esteja no México e só no México o caos parece ter graça. Cada um se apaixona por alguma coisa. Tem o pêndulo, que acompanha a inclinação da Catedral, deixando marcas no chão. Curiosíssimo. Tem os órgãos de tubo e coro, favoritos da Tati, minha companheira de viagem. E tem a estátua de São Ramón, com pés recheados de cadeados e fitas de devotas. Elas acreditam que o ‘mimo’ ajude a acabar com as fofocas que correm em seu vilarejo. Nem preciso dizer que foi minha parte favorita! :)
(Sim, no México também tem piriguete mal falada)
Belo, belo, belo. O Palácio de Belas Artes é belo! Visto por fora, por dentro, de baixo pra cima ou de cima pra baixo. Belo e valiosíssimo! As paredes dos andares 2 e 3 são recheadas de obras dos muralistas mais famosos do México: Rufino Tamayo, Diego Rivera, David Alfaros Siqueiros e José Clemente Orozco. Do lado do Palácio fica o pequeno, mas impecável, Parque Alameda Central.
Para um momento mais espiritualizado, visite a Vila de Guadalupe, o mais sagrado santuário católico romano da América Latina (e mais visitado do mundo). Teria sido lá que a Virgem apareceu para o índio Juan Diego em 1531, pedindo a construção de uma capela (ele é o primeiro santo indígena das Américas, canonizado em 2002). A primeira basílica, consagrada em 1709, está afundando por causa do solo macio. A segunda, mais nova, fica ao lado e vive cheia. Mas há muito mais para apreciar por lá. Capelas, jardins, uma grande praça e até uma loja, cheia de artigos religiosos.
(Basílica antiga)
Por último, tem o passeio de trajinera, embarcação plana, pelos jardins flutuantes de Xochimilco (ou Chocomilk, nas palavras da Tati! Rs). Esse é aquele programa que, dependendo da pessoa, do humor de quem conduz o barco ou do dia da visita, pode subir para a lista de imperdíveis ou cair para as furadas. A ideia dos canais de água, construídos pelos astecas, é genial. E o caminho é formado por um cenário incrível de plantas e bichos. Mas a água de cor escura, o lixo boiando e as casas faveladas à margem dão uma depreciada no lugar. Ainda assim, o passeio de uma hora a bordo daquela embarcação colorida, cafona e tão mexicana foi uma delícia! Dica: o aluguel da trajinera custa 350 pesos por hora e não por PESSOA. Ou seja, pode combinar com um grupo de passear na mesma embarcação e dividir os custos!
(Canais de água dos astecas)
*Não consegui visitar o Palácio Nacional, sede do governo mexicano. Ele está fechado há quase dois meses por conta de manifestações que tomam conta da cidade! Mas só de saber que as paredes de granito e tezontle abrigam o mural mais famoso de Diego Rivera, Ciclo da História do México, já sei que o local entraria para esta lista.
Mercado La Ciudadela
Aberto: diariamente
Horário: 9h a 19h (no domingo, fecha às 18h)
Custo: zero
Como chegar: metrô Balderas
El Bazaar Sábado
Aberto: Sábados
Horário: 11h a 17h
Custo: zero
Como chegar: de táxi ou com o metrobus La Bombilla
Castelo de Chapultepec
Aberto: 3ª a domingo
Horários: 9h a 16h30
Custo: 57 pesos
Como chegar: metrô Chapultepec
Catedral Metropolitana
Aberta: diariamente
Horário: 8h a 20h
Custo: zero
Como chegar: metrô Zócalo
Palácio de Belas Artes
Aberto: 3ª a domingo
Horário: 10h a 18h
Custo: 35 pesos
Como chegar: metrô Bellas Artes
Vila de Guadalupe
Aberta: diariamente
Horário: 6h a 21h
Custo: zero
Como chegar: metrô Deportivo 18 de Marzo ou La Villa/Basílica
Jardins Flutuantes de Xochimilco
Aberto: diariamente
Horário: livre
Custo: 350 pesos por hora (não por pessoa)
Como chegar: metrô Tasqueña + Veículo Leve sobre Trilhos até a periferia da vila de Xochimilco + táxi até os embarcaderos
28.7.13
O mundo é mesmo incrível. Tão grande e, ainda assim, nenhum lugar é igual a outro. Como pode? É coisa de Deus mesmo. Cada cantinho tem um jeito diferente, uma especificidade, algo que nos chama a atenção (para o bem ou para o mal, é bem verdade. Afinal, também existe afinidade quando o assunto é destino turístico).
Eu tenho a sorte de ter podido conhecer alguns locais bem especiais. Um luxo, em grande parte, proporcionado pelos meus pais, sempre muito generosos. Mais recentemente, rodo o mundo graças ao meu trabalho, ao meu esforço. É um prêmio que me dou, por bom comportamento (rs). Seja como for, sempre valorizei muito cada viagem. Cada oportunidade. Cada novidade. Cada surpresa.
Não foi diferente com a Cidade do México. Quer dizer, foi. Foi bem diferente. Quem leu meu último texto sabe do que estou falando. O México nunca vai ser igual a nenhum outro destino para mim. Foi, definitivamente, o mais sonhado. E, estranhamente, o sonho turístico que mais demorei a concretizar.
A viagem foi maravilhosa. Maravilhosa. Mas teve um lado negativo.
Bem, negativo talvez seja uma expressão muito forte. Mas vocês me entendem. E a culpa por isso pode ser minha. Antes de ir, ouvi de muita gente: “ó, não fique só na capital. Há cidades menores imprescindíveis. Imprescindíveis!”. Ainda assim, eu insisti. É que, com uma semana apenas, não queria ficar que nem louca, correndo de cidade em cidade, sem tempo para respirar e viver um local de cada vez, com paciência. Nunca fui de chegar, bater foto em ponto turístico e dar o local por conhecido.
Enfim, com a visita à Cidade do México apenas acabei sentindo que faltou conhecer o México dos meus sonhos. Aquele México que está por trás da cidade grande e cinza, do trabalho, da rotina, das obrigações. Aquele México da fé. O México que é colorido, apesar da miséria e da violência. O México que celebra a morte. O México que cultua caveiras e Catrinas. O México graças-a-Deus-que-sou-mexicano.
Eu já tinha sentido isso quando fui a Cancún. Aquele lugar é paradisíaco! Meu Deus, que praias! Que céu! Que mar! Mas, para mim, estar em Cancún não é estar no México. Aquilo não passa de uma reprodução barata do que os norte-americanos esperam de uma cidade de praia. Uma praia bonita, mas pasteurizada. Sem conteúdo. Sem brilho. Sem personalidade (a não ser pelos mariachis lindos do hotel e por uma comidinha mexicana deliciosa encontrada quase que por acaso, né Julinha?).
Vai ver que a minha ligação com o México vai funcionar na base daquela máxima: the third time's a charm. :)
Mas vamos ao que interessa. A Cidade do México não me mostrou tudo o que esperava do México, mas ela me surpreendeu em vários momentos. E até me fez chorar. De pura emoção.
(Pilar na entrada do Museu Nacional de Antropologia)
Imperdível. Imprescindível. Necessário. Assim é o Museu Nacional de Antropologia. Parece inacreditável um museu ser tudo isso. Mas não é. Não nesse caso. Todo e qualquer elogio é pouco. Ele é muito especial. Dos mais especiais que já visitei. Recheado de tesouros. De deixar qualquer um de boca aberta diante de tanta relíquia. Não só parada obrigatória. Primeira parada. Conhecer o Museu vai ajudá-lo a entender muito da história dos mexicanos. Se não puder percorrê-lo por inteiro, visite ao menos as salas Mexica e Teotihuacán. Ulalá! E, se bater a fome depois de torrar tanto neurônio, vá correndo ao restaurante do Museu. Bem gostoso! Tomei café da manhã por lá e fiquei apaixonada pelo chocolate quente deles!
(Réplica do cocar de penas de Quetzal que Montezuma 2º deu a Cortés)
Sem palavras. Assim fiquei ao visitar a Casa Azul. Não sei se você conhece alguma coisa da pintora Frida Kahlo, mas, mesmo para quem mal ouviu falar dela, a casa onde morou com os pais e depois com o marido, o excelente pintor Diego Rivera, é um ponto turístico a parte. O local só não tem mais personalidade que a própria Frida. Foi de arrepiar estar ali, lar de uma mulher tão incrível, talentosa, forte e que, ao mesmo tempo, apanhou tanto da vida (Ju Hada, como lembrei de você nessa hora!). Chorei. Não uma, mas duas vezes. A primeira, ao visitar o quarto de Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón, minha musa inspiradora (bastou olhar, na parede, esta frase dela: "Jamás en toda la vida, olvidaré tu presencia. Me acogiste destrozada y me devolviste integra, entera"). A segunda, ao conhecer seu jardim, um lugar com presença e cheio da mais pura paz. Pode ser que a experiência de visitar o hoje Museu Frida Kahlo tenha sido mais especial para mim do que para outras pessoas, uma vez que sou fridaholic e que já li várias das biografias da pintora mexicana mais incrível de todos os tempos. Mas, se eu fosse você, passava por lá. Sério. Aproveite e conheça o bairro Coyoacán, onde fica a casa. Antigamente uma cidade colonial, foi engolida pelo DF, mas ainda transborda charme.
(Jardim da Casa Azul)
É claro que no pacote dos imperdíveis tinha que entrar uma pirâmide. Afinal, o que seria do México sem as ruínas? Por isso, coloque no seu roteiro uma visita a Teotihuacán, fundado por volta de 100 a.C. São três (não uma) pirâmides imponentes. Prepare o tênis, o protetor solar e as coxas. Haja malhação para subir cada uma delas. Mas pode ter certeza de que, ao chegar ao topo, você nem vai se lembrar da trabalheira que deu. E prepare a máquina. Óbvio. Se você crê em alguma coisa, aproveite a chegada ao pico da(s) pirâmide(s) para ajoelhar, dançar, dar saltinhos, levantar as mãos ao céu ou seja lá o que você costuma fazer para entrar em contato com o seu deus.
(Pirâmide do Sol)
*Ah, os posts sobre a Cidade do México não terminam por aqui. Ainda vou falar sobre os lugares 'muito bons' e as 'furadas' do DF!
Serviço:
Museu Nacional de Antropologia
Aberto: 3ª a domingo
Horário: 9h a 19h
Custo: 57 pesos
Como chegar: metrô Auditorio ou Chapultepec
Museu Frida Kahlo/Casa Azul
Aberto: 3ª a domingo
Horário: 10h a 17h45 (na quarta, abre mais tarde, às 11h)
Custo: 80 pesos (mais 60, se for tirar fotos)
Como chegar: metrô Coyoacán
Teotihuacán
Aberto: todos os dias
Horário: 7h a 17h
Custo: 57 pesos
Como chegar: dá para ir de excursão (+- 550 pesos). Para os mais aventureiros (também conhecidos como pobres e murrinhas, tipo eu e a Tati), desça na estação de metrô Indios Verdes (3 pesos), saia na escada de letra J e, já do lado de fora, na rua, pegue um ônibus para as pirâmides (40 pesos).
Eu tenho a sorte de ter podido conhecer alguns locais bem especiais. Um luxo, em grande parte, proporcionado pelos meus pais, sempre muito generosos. Mais recentemente, rodo o mundo graças ao meu trabalho, ao meu esforço. É um prêmio que me dou, por bom comportamento (rs). Seja como for, sempre valorizei muito cada viagem. Cada oportunidade. Cada novidade. Cada surpresa.
Não foi diferente com a Cidade do México. Quer dizer, foi. Foi bem diferente. Quem leu meu último texto sabe do que estou falando. O México nunca vai ser igual a nenhum outro destino para mim. Foi, definitivamente, o mais sonhado. E, estranhamente, o sonho turístico que mais demorei a concretizar.
A viagem foi maravilhosa. Maravilhosa. Mas teve um lado negativo.
Bem, negativo talvez seja uma expressão muito forte. Mas vocês me entendem. E a culpa por isso pode ser minha. Antes de ir, ouvi de muita gente: “ó, não fique só na capital. Há cidades menores imprescindíveis. Imprescindíveis!”. Ainda assim, eu insisti. É que, com uma semana apenas, não queria ficar que nem louca, correndo de cidade em cidade, sem tempo para respirar e viver um local de cada vez, com paciência. Nunca fui de chegar, bater foto em ponto turístico e dar o local por conhecido.
Enfim, com a visita à Cidade do México apenas acabei sentindo que faltou conhecer o México dos meus sonhos. Aquele México que está por trás da cidade grande e cinza, do trabalho, da rotina, das obrigações. Aquele México da fé. O México que é colorido, apesar da miséria e da violência. O México que celebra a morte. O México que cultua caveiras e Catrinas. O México graças-a-Deus-que-sou-mexicano.
Eu já tinha sentido isso quando fui a Cancún. Aquele lugar é paradisíaco! Meu Deus, que praias! Que céu! Que mar! Mas, para mim, estar em Cancún não é estar no México. Aquilo não passa de uma reprodução barata do que os norte-americanos esperam de uma cidade de praia. Uma praia bonita, mas pasteurizada. Sem conteúdo. Sem brilho. Sem personalidade (a não ser pelos mariachis lindos do hotel e por uma comidinha mexicana deliciosa encontrada quase que por acaso, né Julinha?).
Vai ver que a minha ligação com o México vai funcionar na base daquela máxima: the third time's a charm. :)
Mas vamos ao que interessa. A Cidade do México não me mostrou tudo o que esperava do México, mas ela me surpreendeu em vários momentos. E até me fez chorar. De pura emoção.
(Pilar na entrada do Museu Nacional de Antropologia)
Imperdível. Imprescindível. Necessário. Assim é o Museu Nacional de Antropologia. Parece inacreditável um museu ser tudo isso. Mas não é. Não nesse caso. Todo e qualquer elogio é pouco. Ele é muito especial. Dos mais especiais que já visitei. Recheado de tesouros. De deixar qualquer um de boca aberta diante de tanta relíquia. Não só parada obrigatória. Primeira parada. Conhecer o Museu vai ajudá-lo a entender muito da história dos mexicanos. Se não puder percorrê-lo por inteiro, visite ao menos as salas Mexica e Teotihuacán. Ulalá! E, se bater a fome depois de torrar tanto neurônio, vá correndo ao restaurante do Museu. Bem gostoso! Tomei café da manhã por lá e fiquei apaixonada pelo chocolate quente deles!
(Réplica do cocar de penas de Quetzal que Montezuma 2º deu a Cortés)
Sem palavras. Assim fiquei ao visitar a Casa Azul. Não sei se você conhece alguma coisa da pintora Frida Kahlo, mas, mesmo para quem mal ouviu falar dela, a casa onde morou com os pais e depois com o marido, o excelente pintor Diego Rivera, é um ponto turístico a parte. O local só não tem mais personalidade que a própria Frida. Foi de arrepiar estar ali, lar de uma mulher tão incrível, talentosa, forte e que, ao mesmo tempo, apanhou tanto da vida (Ju Hada, como lembrei de você nessa hora!). Chorei. Não uma, mas duas vezes. A primeira, ao visitar o quarto de Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón, minha musa inspiradora (bastou olhar, na parede, esta frase dela: "Jamás en toda la vida, olvidaré tu presencia. Me acogiste destrozada y me devolviste integra, entera"). A segunda, ao conhecer seu jardim, um lugar com presença e cheio da mais pura paz. Pode ser que a experiência de visitar o hoje Museu Frida Kahlo tenha sido mais especial para mim do que para outras pessoas, uma vez que sou fridaholic e que já li várias das biografias da pintora mexicana mais incrível de todos os tempos. Mas, se eu fosse você, passava por lá. Sério. Aproveite e conheça o bairro Coyoacán, onde fica a casa. Antigamente uma cidade colonial, foi engolida pelo DF, mas ainda transborda charme.
(Jardim da Casa Azul)
É claro que no pacote dos imperdíveis tinha que entrar uma pirâmide. Afinal, o que seria do México sem as ruínas? Por isso, coloque no seu roteiro uma visita a Teotihuacán, fundado por volta de 100 a.C. São três (não uma) pirâmides imponentes. Prepare o tênis, o protetor solar e as coxas. Haja malhação para subir cada uma delas. Mas pode ter certeza de que, ao chegar ao topo, você nem vai se lembrar da trabalheira que deu. E prepare a máquina. Óbvio. Se você crê em alguma coisa, aproveite a chegada ao pico da(s) pirâmide(s) para ajoelhar, dançar, dar saltinhos, levantar as mãos ao céu ou seja lá o que você costuma fazer para entrar em contato com o seu deus.
(Pirâmide do Sol)
*Ah, os posts sobre a Cidade do México não terminam por aqui. Ainda vou falar sobre os lugares 'muito bons' e as 'furadas' do DF!
Serviço:
Museu Nacional de Antropologia
Aberto: 3ª a domingo
Horário: 9h a 19h
Custo: 57 pesos
Como chegar: metrô Auditorio ou Chapultepec
Museu Frida Kahlo/Casa Azul
Aberto: 3ª a domingo
Horário: 10h a 17h45 (na quarta, abre mais tarde, às 11h)
Custo: 80 pesos (mais 60, se for tirar fotos)
Como chegar: metrô Coyoacán
Teotihuacán
Aberto: todos os dias
Horário: 7h a 17h
Custo: 57 pesos
Como chegar: dá para ir de excursão (+- 550 pesos). Para os mais aventureiros (também conhecidos como pobres e murrinhas, tipo eu e a Tati), desça na estação de metrô Indios Verdes (3 pesos), saia na escada de letra J e, já do lado de fora, na rua, pegue um ônibus para as pirâmides (40 pesos).
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